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Bahiapédia

Esporte Clube Bahia
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Esporte Clube Bahia é um clube desportivo brasileiro de futebol da cidade de Salvador, na Bahia. Conhecido como simplesmente Bahia e pelo acrônimo ECB, foi fundado em 1º de janeiro de 1931 por ex-jogadores do Clube Bahiano de Tênis e a Associação Atlética da Bahia, agremiações que tinham encerrado suas atividades futebolísticas no final da década de 1920. Foi cofundador do Clube dos 13 em 1987, que reunia as treze agremiações mais importantes do futebol brasileiro e que representavam 95% dos torcedores brasileiros na época.[2][3] Com pouco mais de 80 anos de existência, o Tricolor da Boa Terra tornou-se um dos clubes mais populares do estado e do Norte-Nordeste do país, detendo a maior torcida dentre os clubes da região. De acordo com a empresa BDO RCS Auditores Independentes, a marca do clube é a décima quinta de maior valor no Brasil, ultrapassando os 55 milhões de reais, figurando como a maior do Nordeste.[4] Em um novo levantamento feito em 2013, a marca do Bahia persistiu sendo a mais valiosa, estando, dessa vez, na casa dos 66 milhões.[5]

Foi o primeiro clube a conquistar uma competição nacional, a Taça Brasil de 1959, contra o Santos, torneio criado para apontar o representante brasileiro na recém-criada Taça Libertadores da América.[nota 1] Portanto, o clube também foi o primeiro representante brasileiro a participar de uma edição da Libertadores, em 1960.[nota 2] Em 1988, o tricolor baiano conquistou seu segundo título brasileiro, desta vez derrotando o Internacional. Com tais títulos, o Bahia é o único clube fora do eixo Sul-Sudeste a deter dois títulos nacionais da principal divisão do futebol brasileiro. O clube ainda foi vice-campeão brasileiro duas vezes, em 1961 e 1963. Na sua participação na Libertadores de 1989 o Bahia alcançou as quartas de final, feito que nenhum outro clube do Norte-Nordeste alcançou até então. O clube também soma três títulos na Copas do Nordeste e 46 no Campeonato Baiano de Futebol, sendo o segundo maior campeão estadual do Brasil, perdendo apenas para o ABC de Natal o qual soma 53 títulos.[7] O Bahia por muito tempo conquistou a hegemonia do campeonato estadual, ao ponto de ter sido heptacampeão, de 1973 a 1979.[8] Mas, apesar do currículo vitorioso, o Bahia amargou durante a década de 2000 um dos piores períodos de história. Além de conquistar somente um título estadual (em 2001), foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro em 2003 e para Série C em 2005. O clube retornou para a segunda divisão nacional em 2008 e a principal divisão em 2011.[9]

Tem como suas cores oficiais o azul, o branco e o vermelho, em homenagem a bandeira do seu estado de origem. Estado, inclusive, que é lembrado no nome do clube, nas cores, no escudo, na bandeira e, também, nas arquibancadas. O mascote tricolor é o Super-Homem, popular personagem da história em quadrinhos. O Bahia mandava seus jogos no Campo da Graça, até a inauguração da Fonte Nova, que em 2007 foi interditada, em 2010 demolida para reforma e, desde 2013, já como Arena Fonte Nova, voltou a ser o mando de campo do clube. No período da ausência dela, o Bahia mandou seus jogos no Estádio de Pituaçu, casa que, na ausência da Arena, sempre abriga bem o tricolor, fato que confere a ele enorme simpatia da torcida, principalmente em 2010 que ficou marcado na vida do clube por simbolizar o retorno do clube ao cenário nacional após o rebaixamento em 2003. Seu maior rival é o Esporte Clube Vitória com quem protagoniza o clássico conhecido como Ba-Vi, clássico que o Bahia detém uma vantagem, seja em número de triunfos, seja em número de gols marcados, porém desde a década de 90, essa vantagem histórica foi drasticamente diminuída. Ainda assim, é um dos mais importantes do futebol brasileiro.[10] Porém, o Bahia protagoniza clássicos históricos com outros clubes tradicionais de Salvador que já tiveram seus dias de glória, como o Galícia (o Clássico das Cores), com o Botafogo-BA (o Clássico do Pote), e o Ypiranga (o Clássico das Multidões).[11] Regionalmente, há também muita rivalidade contra o Sport.[12]

História

Ver artigo principal: História do Esporte Clube Bahia
Trajetória no futebol masculino
O clube foi fundado em 1º de janeiro de 1931 exclusivamente para formar uma equipe de futebol masculino em decorrência do fechamento dos departamentos de futebol a Associação Atlética da Bahia e o Clube Bahiano de Tênis em 1930.[13] Após discussões, foram aprovados o novo estatuto e a primeira diretoria, sendo eleito presidente o jovem médico Waldemar Costa, e publicação do estatuto no Diário Oficial da União de 16 de janeiro de 1931.[14] Em 20 de janeiro, o Bahia se filiou na Federação Bahiana de Esportes Terrestres, atual Federação Bahiana de Futebol.[15] Os treinamentos eram feitos no campo da AAB, na Quinta da Barra.[14] E em 1 de março foi realizado o primeiro jogo oficial do clube, pelo Torneio Início, contra o Ypiranga. A partida resultou na vitória tricolor por 2 a 0, com gols de Bayma e Guarany, e na primeira edição do Clássico das Multidões.[14] No mesmo dia, o Bahia levantou seu primeiro troféu, o de campeão do Torneio Início de 1931. Em 22 de março o Bahia estreou no Campeonato Baiano de Futebol vencendo por 3 a 0, e nesta primeira edição tornou-se campeão baiano invicto.[14] Ainda neste ano, o Bahia fez seu primeiro jogo intermunicipal, vencendo o Vitória de Ilhéus por 5 a 4; seu primeiro jogo interestadual, batendo o Sergipe por 2 a 0; seu primeiro jogo internacional, jogando contra o Sud América, do Uruguai; também o primeiro Clássico do Pote, duelo contra o Botafogo-BA, que terminou em 2 a 2.[14]

Assim, a década de 1930 marcou um início arrasador. Apesar de crises na diretoria em 1932 e 1937, venceu o primeiro Ba-Vi da história no dia 18 de setembro de 1932, empatou o primeiro Clássico das Cores (contra o Galícia), instaurou numa nova sede no bairro de Brotas, teve o seu o meia-esquerda Armandinho convocado para a Seleção Brasileira de Futebol Masculino, venceu cinco edições do Campeonato Baiano de Futebol daquela década e fez a maior goleada de todos os tempos sobre o Vitória, 10 a 1, no dia 8 de dezembro de 1939.[16]

Se a década de 1940 começou com o título de 1940 e o trio estrangeiro de ídolos formado pelos argentinos Papetti e Bianchi e o italiano Avalle,[14] os percalços se sucederam. O Galícia foi tricampeão estadual e a falta de títulos culminou em enorme dívida, ainda não saldada pelas vultuosas injeções de dinheiro do presidente e torcedor fanático Carlos Wildberger.[17] Com as dificuldades financeiras, foi despejado de sua sede na avenida Princesa Isabel e se instalou em nova sede, no bairro do Canela.[14] No ano de 1949, aos 18 anos de existência, o clube se mudou novamente para a Barra. Nesta década destacou-se também a composição do hino do clube por Adroaldo Ribeiro Costa, considerado pelo historiador Cid Teixeia a mais popular da história do estado ao lado do hino do Senhor do Bomfim;[14] divergências com a Federação Bahiana de Desportos Terrestres (FBDT); o uso pela primeira vez da expressão “Esquadrão de Aço”, em manchete no jornal A Tarde, pelo jornalista Aristóteles Góes; o goleiro titular por cerca de sete anos Lessa, mencionado em versos de Gilberto Gil na canção Tradição como “um goleiro, uma garantia”;[18] o décimo título estadual em 18 torneios disputados até 1949 e o tricampeonato consecutivo no Campeonato Baiano de Futebol também naquele ano.[14]

O ano de 1950, apesar de crises internas continuarem a existir, diferente de outras épocas, elas não prejudicaram o desempenho em campo. Na fase classificatória do Baianão, perdeu apenas dois de 12 jogos e terminou em primeiro lugar. No primeiro jogo da decisão contra o Vitória, venceu por 2 a 1. No segundo, porém, levou uma virada espetacular, e perdeu por 4 a 3. Isso exigiu a realização de um jogo-desempate. E ele ocorreu no dia 12 de novembro, em que o tricolor venceu por 3 a 1, com a estrela de Zé Hugo, que, cinco anos depois, voltou a marcar dois gols na decisão contra o Vitória. Com a conquista do título, o Bahia se tornou o primeiro Tetracampeão da história do Campeonato Baiano de Futebol.[14]

A ascensão do clube rumo ao Brasil se deu na década de 1950 com o quarto título estadual consecutivo em 1950, a inauguração do Estádio Octávio Mangabeira (a Fonte Nova) e a conquista da Taça Brasil de 1959, tornando-se o primeiro campeão brasileiro da história.[14] A grande força estadual foi reconhecida nacionalmente em 1959 quando a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) organizou o primeiro campeonato nacional entre clubes como alternativa para substituir o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. O torneiro, em formato eliminatório, indicou um representante brasileiro para a disputa da Taça Libertadores da América, torneio criado pela Conmebol no mesmo ano, que iniciaria no ano seguinte.[19]

O torneio brasileiro reuniu os campeões estaduais e era dividido em grupos (Nordeste, Norte, Leste e Sul), que se agrupavam em zonas (Zona Norte-Nordeste e Zona Sudeste-Sul).[20][21] Os campeões paulistas e cariocas entraram na reta final, enfrentando o vencedor da Zona Norte-Nordeste e o da Zona Sudeste-Sul cada um. Os vencedores destes confrontos levavam aos finalistas do torneio. Em termos práticos, o torneio foi o precursor do Campeonato Brasileiro de Futebol.[22] No primeiro ano da Taça Brasil, houve 16 participantes, e o Bahia havia sido indicado como representante da Bahia, já que foi o campeão baiano de 1958. Com isso, foi habilitado a participar do certame. O tricolor não era o favorito, até porque tinha concorrentes de peso, como o Vasco de Bellini e o Santos de Pelé, Pepe e Coutinho. No Grupo Nordeste, o Bahia estreou contra o CSA goleando por 5 a 0. No segundo jogo, venceu novamente, dessa vez por 2 a 0, e avançou sem a necessidade de um terceiro jogo. O Ceará, que havia vencido o ABC, foi o rival no Grupo Nordeste. Após empatar em 0 a 0 e 2 a 2, venceu por 2 a 1 o terceiro jogo, e passou para a próxima fase.[23] No Grupo Norte, o Sport se sagrou campeão, e se habilitou a disputar o título da Zona Norte contra o Bahia. (no Grupo Sul foi o Grêmio, e Grupo Leste o Atlético Mineiro). O campeão da Zona Norte enfrentou o Campeão Carioca, e o da Zona Sul enfrentou o Campeão Paulista. No dia 10 de dezembro de 1959, ocorreu a primeira grande decisão na Vila Belmiro, onde o Tricolor venceu por 3 a 2, surpreendendo a todos que esperavam mais um show do craque Pelé. Dessa vez, o favoritismo mudou de lado, e a festa estava preparada em Salvador. Estava certo de que aquele ano novo na Bahia seria especial. Porém, a euforia transpôs a calma, e no dia 30 de dezembro o Santos, na Fonte Nova, bateu o tricolor por 2 a 0. Isso levou a realização de um terceiro jogo para decidir quem seria o campeão. Com a festa adiada e a euforia tranquilizada, o time viajou para o Rio de Janeiro (então capital federal) para disputar a terceira partida num campo neutro. Lá, o Santos (e toda a mídia) já acreditava no título, e o Bahia então mostrou todo o seu bom futebol e o motivo de ter se tornado supremo no estado. Venceu por 3 a 1 e tornou-se o primeiro Campeão Brasileiro da história. O time que jogou a decisão era: Nadinho; Leone e Henrique; Flávio e Vicente; Marito, Alencar, Léo, Mário e Biriba.[14] O então presidente era o polêmico Osório Villas-Boas, não muito querido pela torcida.[14] O treinador até as finais foi o Ifigênio Bahianense (Geninho), mas na decisão ele saiu, e o argentino Carlos Volante assumiu. O tricolor ainda teve o artilheiro do campeonato: Léo Briglia.[14]

A Taça Libertadores de 1960 não foi muito boa para o Tricolor, mas serviu para apresentar ao clube um de seus maiores ídolos nos próximos anos. O tricolor perdeu o primeiro jogo por 3 a 0 para o San Lorenzo, da Argentina, com uma exibição impecável de José Sanfilippo. No jogo de volta, o Bahia venceu por 3 a 2, mas foi eliminado.[24] Sanfilippo chegaria somente em 1968 no clube, mas faria história. Com os três títulos estaduais consecutivos no começo da década de 1960,[25] o Bahia chegou às finais da Taça Brasil de 1961 e 1963, perdendo ambas para o Santos. Ficou de fora das edições de 1964, 1965, 1966 e 1967, por conta da perda dos estaduais nos anos anteriores. A reconquista do estadual em 1967 fez o Esquadrão retornar ao torneio nacional em 1968.[26]

A década de 1970 foi de pura glória para o Bahia. O tricolor tornou a montar elencos cada vez mais competitivos (destaque para os futebolistas Sanfilippo, Baiaco, Picasso, Alberto Leguelé, Sapatão, Roberto Rebouças, Eliseu Godoy, Beijoca, Douglas, Fito Neves, Gelson Fogazzi Rocha e Gilson Gênio)[26] e começou a peitar não somente os clubes da Bahia, como também os demais clubes do Brasil. O início do novo Campeonato Brasileiro (reformulação da antiga Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa) aliado ao grandioso momento do clube levou a sua forte expressão no cenário nacional. No período 1973–1974–1975–1976–1977–1978–1979, o tricolor foi campeão baiano em todas as edições, e em três delas venceu consecutivamente o Vitória nas finais.[27] Como o rubro-negro obteve a melhor campanha, chegou nas finais de 1979 com vantagem. O tricolor venceu o primeiro jogo, e empatou o segundo.[28] A vantagem deu ao rival um jogo extra, onde o empate lhe favorecia. Ao Bahia restava vencer, e eis que, no segundo tempo, com a torcida rubro-negra eufórica, o meia Fito Neves arrisca um chute de longe, e o goleiro Gélson comete um erro histórico, até hoje lembrado pelos torcedores presentes na época. O Bahia venceu por 1 a 0, calou a torcida rival, e fez a festa: Bahia heptacampeão, uma das maiores sequência de títulos do futebol brasileiro.[8][29] Nesse período, alguns dados ajudam a explicar esse feito, segundo o historiador Galdino Silva:[8]

Ao longo dessas setes conquistas do Bahia os jogadores Baiaco, Douglas, Fito, Romero e Sapatão, participaram de todas as campanhas e são efetivamente verdadeiros heptacampeões de fato.
O Tricolor fez ao total 228 jogos, dos quais venceu 142, empatou 75 vezes e perdeu apenas 11 partidas, marcando 419 gols e sofrendo 102 gols.
Douglas foi o grande artilheiro dessa campanhas marcando mais de 90 gols.
A década de 1980 foi, certamente, a mais vitoriosa do Bahia, pois foi nela que o Tricolor de Aço conquistou o seu segundo título brasileiro, em 1988. Nas 31 oportunidades que disputou o certame, suas melhores campanhas foram uma quarta colocação em 1990 e uma quinta em 1986, tendo terminado por oito vezes entre os dez melhores. O Bahia foi ainda semifinalista do Torneio dos Campeões de 1982, torneio promovido pela CBF e que reunia os maiores clubes do Brasil na época. No Campeonato Brasileiro de Futebol de 1988, conquistou o bicampeonato vencendo o Internacional de Porto Alegre, dirigido por Evaristo de Macedo, o tricolor, com craques como Ronaldo, João Marcelo, Charles Fabian, Bobô, Zé Carlos, e outros, derrotou o Internacional na final, combatendo a força do colorado no Beira-Rio e a mídia, que dava o título como certo aos gaúchos. O Bahia é até hoje um dos dois únicos campeões brasileiro do Norte/Nordeste (junto ao Sport).[nota 3] Com a título de 1988 garantiu vaga na Taça Libertadores da América de 1989, onde obteve seu melhor resultado, chegando às quartas-de-final.

Após as conquistas do Campeonato Brasileiro de 1959 e 1988, o Bahia não conseguiu manter a estabilidade administrativa e sofreu um declínio. Em 1997, caiu para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, retornando à elite em 2000, e mesmo assim graças à Copa João Havelange, pois o tricolor não havia conseguido se classificar em 1999. Em 2001 fez um ótimo Campeonato Brasileiro, chegando a se classificar para as finais. No ano seguinte, os seguidos erros da diretoria resultaram numa nova queda de produtividade e finalmente em 2003 acabou sendo rebaixado novamente. Após fazer um péssimo campeonato, sofrendo grandes goleadas, o Bahia caiu frente ao Cruzeiro, que venceu o tricolor pelo placar de 7 a 0, na Fonte Nova. Na Copa do Brasil, até 2007, o Bahia ocupava o 12.º lugar no ranqueamento de pontos conquistados, com 123 pontos e sua melhor colocação foi em 2002, quando ficou em quinto lugar. Em 2003, teve o artilheiro da competição: Nonato, com nove gols.

Em 2005, o Bahia foi, juntamente com seu arquirrival Vitória, rebaixado para a terceira divisão, após mais uma má administração do clube, e tentou em 2006 reerguer sua história vencedora, sem sucesso, permanecendo na terceirona. Com o fim da gestão de Marcelo Guimarães frente ao clube, foi eleito para o cargo de presidente Petrônio Barradas. Petrônio tinha a reprovação quase que absoluta da torcida por conta da má fase fruto das péssimas gestões do seu antecessor. No Campeonato Baiano de Futebol, foi eliminado nas semifinais para o Colo Colo, de Ilhéus, que se sagrou campeão estadual naquele ano. Na Copa do Brasil, foi eliminado pelo Ceilândia, perdendo por 2 a 1 na Fonte Nova, ainda na primeira fase do torneio.[31] Na Série C, houve indícios de ascenso para a Segunda divisão, entretanto, derrotas e punição por invasão de campo por parte da torcida[32][33] culminaram na permanência, enquanto o Vitória se classificou para a divisão superior.[34] O ascenso veio em 2007, com episódios marcantes como o gol salvador de Charles contra o Rio Branco no octogonal final, a caminhada da Fonte Nova até a Colina Sagrada da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim a pé por parte da comissão técnica e dos atletas do clube no mesmo dia,[35][36] os estádios lotados nas partidas restantes do octogonal final,[37] o trágico incidente na Fonte Nova com óbito sete torcedores e a transferência do mando de campo para Feira de Santana, no estádio Jóia da Princesa, no ano seguinte, enquanto o Estádio de Pituaçu era reformado.[38]

No ano de 2007, a torcida organizada Terror Tricolor trocou socos e chutes com futebolistas no Fazendão em baderna e tumulto devido à revolta com a situação da equipe.[39] No fim de 2008, o então deputado federal Marcelo Guimarães Filho (MGF) foi eleito com a imagem de ser um presidente jovem, que supostamente simbolizava a renovação e modernização do clube.[40] Somente em 2010, houve a classificação à Série A em meio a um processo de grande reforma no centro de treinamento (CT) do clube e de uma pretensa e aparente promessa de profissionalização de todos os seus setores (restando apenas o cargo de presidente sem remuneração), iniciados pelo então presidente.[41] A devoção de sua torcida foi reconhecida pela CBF no prêmio craque do Brasileirão com o prêmio de Torcida de Ouro. No momento da entrega, o Ministro dos Esportes Orlando Silva, torcedor assumido do rival Vitória, irritou a torcida homenageada ao não citar em momento algum qual o prêmio e qual clube estava sendo premiado.[42]

Em consequência de ter terminado o Brasileirão de 2011 na 14.ª posição, o clube, depois de 22 anos fora de uma competição internacional, se classificou à Copa Sul-Americana de 2012.[43] No dia 30 de setembro de 2011 estreou nos cinemas de todo o Brasil o filme “Bahia Minha Vida”, de Márcio Cavalcante, sucesso de bilheterias que contava a história do clube através de relatos de 120 entrevistados, entre jornalistas, jogadores, comentaristas, árbitros, artistas e torcedores.[44] Em 2012, uma pesquisa apontou o longa como o de segunda maior bilheteria da história entre filmes esportivos nacionais, perdendo apenas para o filme “Pelé Eterno”. Críticos de todo o Brasil, e, principalmente, fãs do futebol, aprovaram o filme, que foi o primeiro a ser lançado no Brasil contando a história de um time de futebol. De acordo com dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), 74 857 pessoas viram o filme tricolor nas telonas. A arrecadação foi de 597 579 reais.[45][46] No Baianão de 2012, veio o título estadual após dez anos de jejum.[carece de fontes] Na Copa do Brasil, o time chegou às quartas-de-final, perdendo para o Grêmio. No Brasileirão, o Bahia, porém, não repetiu as boas atuações do início da temporada, mas escapou do rebaixamento.[47] Na Copa Sul-Americana de 2012 o Bahia fez uma campanha ruim e foi eliminado ainda na fase nacional contra o São Paulo.

O ano de 2013 foi bastante conturbado. O presidente remodelou o estatuto, passando o Conselho Deliberativo vigente a selecionar os dois candidatos a serem votados pelos sócios e o mesmo Conselho sendo renovado somente após a eleição.[48] No estadual de 2013, a inconstância e baixa qualidade do elenco fizeram o Bahia realizar a pior campanha desde 1942 no Campeonato Baiano.[49] Assim, a torcida iniciou protestos como o “Público Zero”, esvaziando os estádios, almejando afetar economicamente o clube para tentar obter a renúncia do presidente.[50] Além disso, muitos torcedores de desassociaram do programa “Torcedor Oficial do Bahia”, buscando o mesmo propósito. Torcedores ilustres e ídolos do clube, como Bobô, Paulo Rodrigues, Jaques Wagner, ACM Neto, Ricardo Chaves, etc, apoiados por jornalistas de diversos veículos esportivos, tais como Neto, Juca Kfouri, iniciaram um movimento, liderado por Sidônio Palmeira, intitulado “Bahia da Torcida”, que almejava uma série de mudanças, a começar pela renúncia do presidente do clube.[51] A despeito da resistência de Marcelo Guimarães Filho nos dois anos anteriores, a justiça determinou a intervenção no clube para a reforma do estatuto e promoção de eleições diretas. Em votação no dia 17 de agosto de 2013, foi estabelecida a reforma do estatuto do clube com o propósito da eleição direta dos sócios para o ocupante do cargo de presidente. No dia 7 de setembro de 2013 ocorreu a primeira eleição direta e democrática da história do EC Bahia, quando foi eleito Fernando Schmidt, que já tinha sido presidente anteriormente, para a presidência até dezembro de 2014. Em 13 de dezembro de 2014 ocorreu a segunda eleição direta, vencendo o jornalista Marcelo Sant’Ana para o triênio 2015–2017.[52]